Hoje, vi as americanas perderem para o Japão e observei as entrevistas das “perdedoras”. Elas simplesmente reconhecem a derrota, sentem muito pelo fracasso, até choram, mas já falam do futuro. Nada de desculpas pelas penalidades perdidas. Simplesmente perderam. Todas sempre solícitas aos jornalistas para responderem qualquer tipo de perguntas. E ainda sabem reconhecer o valor dos adversários.
No intervalo, um belo comercial da Nike sobre as meninas perdedoras onde a mensagem era: PRESSURE MAKES US, ou seja, a pressão é o que nos transforma, numa tradução livre deste que vos escreve. O texto é tão fantástico que decidi reproduzir aqui
“Imagine there were no legends, no fans, no expectations. What if for the first time there were no pressure? Then we wouldn’t have a chance. Pressure Makes Us”
“Imagine se não houvesse ídolos, não houvesse torcedores, não houvesse expectativas. O que aconteceria se, pela primeira vez, não houvesse nenhuma pressão? Então, não teríamos nenhuma chance. É a pressão que nos transforma”
Aí mudo de canal, para ver momentos do jogo do Brasil contra o Paraguai. E observo cuidadosamente nossas atitudes perante o mundo. Atitudes de perdedores. Os jogadores saíram e, quando os jornalistas tentaram perguntar algo, evitaram qualquer contato. Aí, parecia que o Robinho iria salvar a pátria, mas não a salvou. O estado do campo foi mencionado para a derrota. Não precisamos disso como desculpas, pois fomos superiores no tempo normal. Nossa cultura é especialista em arrumar desculpas para justificar o injustificável. Não é o campo que nos faz perder, é nossa atitude. A cultura americana e oriental AVALIA uma situação. Nós adoramos JUSTIFICAR uma situação. Nunca chegamos atrasados. É o trânsito que nos atrasa. Nunca tiramos uma nota baixa, é o professor que não presta; nunca perdemos um jogo, é o estado do gramado que o faz e por aí vai (o mais ridículo de tudo isso é que passa a ideia que o adversário ganhou num gramado impecável e bem cuidado). Reconhecer nossas fragilidades é meio caminho andado para a superioridade. Precisamos aprender isso rapidamente ou ficaremos sempre atrás dos que avaliam.
Para terminar, aprendi algo cedo na vida. Sempre que possivel, decida nos 90 minutos. Por que? Porque os dois times, tanto as americanas quanto os brasileiros, foram superiores durante o tempo normal. Enfim, precisamos aprender a perder, avaliar a situação (jamais justificar) e ganhar os próximos jogos. Eis aí uma atitude de campeão.Texto escrito por Claudemir Oliveira
